domingo, 18 de março de 2012

Budapest

Sentada em Buda
a olhar p'ra Pest

um dia eu estarei
sozinha ... acompanhada ...
não sei



Fazendo meu
o sonho que foi teu

um dia, não sei,
sozinha ... acompanhada ...
eu estarei.


1989, algures


domingo, 15 de janeiro de 2012

Do meu baú adolescente


Grãos de areia

Ias partir! Eu sabia – aliás, toda a gente o sabia.
Faltava uma semana primeiro; depois, um dia, poucas horas.
Queria ter preso o tempo entre as mãos e não o deixar correr. Mas escapava-se-me entre os dedos como grãos de areia.
Já não te podia impedir.
Tinha sono mas (tão estranho!) não conseguia dormir.
Tu, na Casa, fazias as malas. Pensavas em mim? Para quê, se já nos tínhamos despedido?
Queria ver-te só mais uma vez e não saía da janela. Até que adormeci. As mãos abriram-se e o tempo, o pouco que ainda lá estava, fugiu.
De manhã, aflita, corri para a Casa.
“Já se foi embora” – quem mo disse?
Haveria algo que me pudesse afirmar que tinhas existido? Apenas uma concha, no fundo do saco de praia, tinha ainda uns grãos de areia, que nós pisámos e que, rindo-se de nós, quando os tentámos agarrar, nos fugiram entre as mãos.

Agosto de 1965
"Grãos de Areia" foi publicado no Diário Juvenil do Diário de Lisboa.
Não sei onde guardei o recorte com o comentário de Mário Castrim que foi muito encorajador.
Aqui vos deixo ficar este Sentimento.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

Bábá




Avó, eu escrevi assim em 29 de Dezembro de 1975.

Não tenho palavras nem lágrimas correm para exprimir a dor. Morreste, é verdade, embora, por vezes, pareça mentira.
É como se existissem três avós: a Bábá, nome que te dei e os outros adoptaram, a doente e a morta. Todas queridas e diferentes. A realidade é outra, agora só há uma avó, a morta. Já nada podemos fazer por ti. Nem rezar posso, não acredito. Se houver uma vida para além da morte, tu serás feliz. Como eu quero que haja! É a minha esperança. Caso contrário, tudo é nada, o niilismo. Ficou a tua recordação. Mas a ti de que te serve?
No dia em que vieste morta para S. Domingos de Rana, a carrinha funerária desceu em direcção a Caxias. Apesar de Inverno, o mar estava tão azul, reflexo certo do céu, com um sol tão brilhante.
- Essa imagem nunca se apagou da minha memória, mesmo agora passados muitos anos. –
Todos os dias tenho recordado bocados da tua / nossa vida.
Quando chega a noite, tenho medo, fico inquieta e melancólica. Creio que são as trevas, essa maldita escuridão. Esta impotência de nada poder fazer. Nem gritos ou risos te devolverão a vida. No meu futuro a conformação.

Por várias vezes, quando estou em Lisboa, tenho passado na Rua de S. João da Praça. Lá está o largo em frente à tua porta. Os pombos são os mesmos, quase parece.
Tenho pensado em subir ao teu andar, bater à porta, ver quem agora habita onde moraste, o que fizeram da casa. Nunca consegui.
Desço pelas escadas do beco, aquele que cheirava, cheira ainda a urina. Tenho receio de lá passar, tal como em garota. “É preciso cuidado. Pode lá haver algum homem”, dizias.
Desço apressada, pelo medo e pelo cheiro. E não quero voltar.


Hoje, 1 de Novembro de 2011, uma flor para ti.

sábado, 30 de abril de 2011

Intervenção da CDU na Assembleia de freguesia da Aldeia de Joanes

Intervenção sobre o 25 de Abril / 1º de Maio

Esta Assembleia de Freguesia realizou-se em 29 de Abril de 2011, entre duas importantes datas da nossa história recente.

Tinha-se comemorado há quatro dias o trigésimo aniversário do 25 de Abril. Faltavam três dias para o nosso primeiro Dia do Trabalhador comemorado em liberdade perfazer a mesma idade.

            "Em trinta e sete anos muito se fez neste País, mesmo que alguns pretendam esquecê-lo e denegrir a experiência da nossa ainda jovem democracia.            
Duma impossível lista exaustiva, em primeiro lugar a Liberdade. Liberdade de expressão, de afirmação, tantas vezes deturpada com impunidade. 

            Também com o 25 de Abril foi recuperado o Regime Político Democrático e reposto o Poder Local com representantes livremente eleitos por voto directo e universal. A postura daqueles que não servem o povo mas que se servem dos cargos que ocupam tem posto em causa a classe política e autárquica, ouvindo-se dizer frequentemente que “são todos iguais”. A desinformação e a ajuda de certa Comunicação Social têm contribuído para este clima.
A democracia não se pode traduzir unicamente pelo direito (e dever) de votar, nos prazos estabelecidos, para os órgãos de soberania e autárquicos e deixar que aqueles em quem votámos façam o que entenderem, ao contrário do que prometeram.

            A defesa de um trabalho digno e valorizado está estreitamente ligada ao alvorecer da democracia, como um direito de todo o ser humano.Este direito está hoje brutalmente a ser posto em causa. Krugman, prémio Nobel da Economia de 2011, afirmou recentemente que Portugal erra ao reduzir a despesa pública com desemprego elevado. 
            Os progressos sociais foram muitos, visando minorar o sacrifício dos mais desprotegidos, rumo a uma sociedade com menos desigualdades. Todavia, Portugal ocupa hoje na União Europeia lugar cimeiro entre os países em que é maior o fosso entre os mais ricos e os mais pobres. E tanto mais haveria para dizer que não cabe no espaço desta curta intervenção!

             No entanto, passados trinta e sete anos, os ideais e as conquistas de Abril estão em perigo. Já fomos apontando, alguns dos recuos que, passo a passo, quase em surdina, se foram instalando, ao longo dos últimos trinta e cinco anos. 

Portugal vive hoje assolado por uma dívida externa preocupante e por uma especulação que os Bancos Centrais impuseram aos países que, como o nosso, estavam/ estão na sua mira. O país está confrontado com uma ingerência externa da União Europeia e do FMI e com a perda da soberania nacional.

Numa declaração ao New York Times, o sociólogo Robert Fishman afirma que Portugal não precisava de ajuda externa. Afirma ainda que “A revolução de 1974 em Portugal inaugurou uma vaga de democratização que inundou o mundo inteiro. É bem possível que 2011 marque o início de uma vaga invasiva nas democracias, por parte dos mercados não regulados (…)”. A nossa democracia inquietou e incomoda muita gente! 

            Neste ano em que o 25 de Abril se celebrou neste ambiente de angústia e incerteza, o grupo da CDU quer saudar aqueles que tornaram possível a Revolução, não apenas os militares de Abril mas também o povo que a desejou e a ela aderiu. Passados trinta e sete anos do 25 de Abril de 74, o grupo da CDU congratula-se por as comemorações da Revolução de Abril terem atingido uma expressão ainda maior, de esperança e de luta. 

Neste ano em que o 1º de Maio se comemorará com o país mergulhado numa profunda crise económica e social (mais de setecentos mil desempregados, centenas de milhar sem protecção social, mais de dois milhões de portugueses a viver na pobreza, …) o grupo da CDU vem reafirmar a necessidade defender e afirmar as portas que Abril abriu e as conquistas de Maio. 

            Como cantou Chico Buarque, Foi bonita a festa, pá. Fiquei contente Ainda guardo renitente um velho cravo para mim.

É bonita a festa, Chico. Os cravos ainda cheiram e há também um cheirinho d’ alecrim.

            Viva o 25 de Abril
            Viva o 1º de Maio"  
(António Santos, Isabel Coelho)

Não somos todos iguais. A CDU tem e terá provas dadas.

Por isso, em Junho votem CDU e verão a diferença, a diferença de quem apresenta propostas, de quem tem trabalho feito, contra aqueles que "participam" nos órgãos para votarem no que lhes encomendaram e nada mais, que não apresentam propostas e que lhes interessa o statuos quo. 


domingo, 17 de abril de 2011

Nobre(za) exige ... o Tacho


Nos últimos dias fomos confrontados com o anúncio da candidatura de Fernando Nobre como cabeça de lista do PSD por Lisboa.
Maior surpresa foi o facto de ter sido anunciado em simultâneo que, caso o partido ganhe as eleições, Fernando Nobre será o Presidente da Assembleia da República.

O cargo de Presidente da Assembleia da República, segundo na hierarquia do País, sempre foi por eleição dentro do Parlamento. Agora, é "entregue" a um candidato que não quer ser deputado, segundo anunciado na Comunicação Social. E que diz que não conhece o programa eleitoral do PSD.

O Dr. Fernando Nobre que, segundo consta tem feito um percurso meritório na AMI, não se enxerga? Perdeu a vergonha? O PPD/PSD coloca como primeiro candidato ao distrito da capital um homem que não conhece o seu projecto?!!!

Andam muitos trocados neste País. A democracia está aviltada e insultada.

Mais este triste caso da política portuguesa é alvo de chacota.


Os Homens da Luta apanharam bem a situação. Faz-nos rir um bocado.

Mas, depois de rirmos um bocado, temos de pensar seriamente que, em 5 de Junho, temos nas nossas mãos a possibilidade de erradicar os cancros que se instalaram na nossa sociedade.

Se não queremos que fique tudo na mesma, a única opção que temos é votar na CDU, tal como disse hoje Bernardino Soares em declarações aos jornalistas durante o Encontro Nacional do PCP sobre as legislativas. 



segunda-feira, 11 de abril de 2011

Ainda se lembram de como começou a guerra no Iraque?

Corria o ano de 2003.
Eu ainda estava e estive no activo por quase mais sete anos. Tinha a meu cargo a orientação do Jornal de Escola. Um dos alunos da equipa escreveu um artigo (não o consigo encontrar) sobre o que se avizinhava. E inquiria o que se passaria daí a uns meses. Ilusão juvenil! Passaram anos, muitos, e ela continua, agora relegada para segundo plano por outras guerras!
Diziam eles, pela voz  de George W. Bush e seus aliados ingleses, que iam libertar o povo iraquiano.
O Iraque possuiria  armas de destruição maciça (que nunca foram encontradas)! E havia Saddam Hussein que tinha chegado ao poder num golpe apoiado pela CIA.


Que paralelismo com o que se passa agora na Líbia e noutros países árabes?
Muamar Kadafi, ainda há bem pouco tempo, era o inimigo da Al Kaeda e o amigo do ocidente.
Agora, parece que a Al-Kaeda, a par da NATO e seus aliados, estão a ajudar os "rebeldes" da Líbia.
Não quero, nem estou, a defender o regime líbio. Apenas, pretendo chamar a atenção das organizações que publicam abaixo assinados a favor do povo líbio (e daqueles que as assinam) que deveriam, primeiro, emitir petições a favor da paz e a condenar  os Obama, Sarkozy, Cameron e seus lacaios (tão parecido com o Iraque, não é?, só que na altura os nomes eram outros) pelo assassinato de civis. No Iraque houve mais de um milhão de mortos. Ajuda humanitária!

Deixo-vos um texto de Miguel Urbano Rodrigues.

"O subsolo líbio encerra as maiores reservas de petróleo (o dobro das norte-americanas) e de gás da África. Tomar posse delas é o objectivo inconfessado da falsa intervenção humanitária.
É dever de todas as forças progressistas que lutam contra a barbárie imperialista desmascarar a engrenagem que mundo afora qualifica de salvadora e democrática a monstruosa agressão à Líbia."