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domingo, 2 de janeiro de 2011

Pássaro - cinza

Alguém compreendeu o pássaro – cinza?
Fugiu da gaiola
Voou com asas de força dor
Na procura do infinito
Dum galho verde quebrado
Para descansar.

Alguém compreendeu o pássaro – cinza?
Ia pesado de solidão
Voou com asas enfraquecidas
Na procura de encontrar
Um galho verde quebrado
Para o corpo cansado

Alguém compreendeu o pássaro – cinza?
Caiu (gravidade!)
Na terra apodrecido
Da gaiola fugido
Do infinito não alcançado
Uma lágrima

Alguém compreendeu o pássaro – cinza?
Os bichos comem-lhe
O sonho de infinito
A dor calada de grades fugida
Os vermes devoram a utopia
De compreender o pássaro.

domingo, 26 de dezembro de 2010

Cecília Meireles

Porquê hoje esta saudade da poesia de Cecília Meireles?

A nostalgia da/na sua poesia.


Resíduo (Cecília Meireles)

Quando passarem os dias,
e não mais se avistar
nosso rosto, e o sereno
modo nosso de olhar,

e a nossa evaporada
voz não viver mais no ar,
e as sombras esquecerem
a que era a do nosso andar,

vai ser doce pensar-se,
- em que secreto lugar? -
nos sonhos que inventávamos,
ternos e devagar,

no perfil que tivemos,
tão fino e singular,
e no louro e nas rosas
que o poderiam coroar,


e nos vergéis que sentíamos,
quando íamos a par,
ouvindo o amor, que nunca
chegou a sussurrar.